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IDENTIDADES DIGITAIS E TECNOLOGIA BLOCKCHAIN

Atualizado: Mar 4

Por Gabriel Aleixo — Qrcapital


O tema das identidades digitais está longe de ser o mais comentado quando pensamos em criptomoedas. Entretanto, um olhar mais apurado pode trazer uma perspectiva diferente, em especial quando olhamos para o conjunto de ferramentas que faz com que o Bitcoin e alguns outros funcionem ininterruptamente sem depender de qualquer governo ou empresa em particular.


Afinal, se conseguimos desmaterializar de maneira descentralizada a figura do dinheiro, por que não fazer o mesmo para algo tão crucial quanto a gestão de nossas identidades nos mais variados contextos?

Pensando em sentido amplo, boa parte de nossas identidades já é digital, com um único indivíduo possuindo às vezes dezenas de logins para acessar diferentes serviços. Quanto partimos para o mundo físico, a história não muda muito, especialmente em países com uma burocracia atrasada como o Brasil. Mais uma dúzia (ou até mais) de documentos sendo necessária para se provar que “você é você” em múltiplas circunstâncias, seja no acesso a serviços públicos ou para a entrada em ambientes privados.


Nesse sentido, a utilização de uma arquitetura descentralizada como a blockchain traz consigo a promessa de digitalizar a gestão de identidades de forma menos burocrática, justamente ao permitir certa “unificação” desses diferentes mecanismos, além de simplificação e barateamento. Em resumo, o conceito de identidade digital contempla um conjunto de informações previamente coletadas, dispostas de forma eletrônica e capazes de descrever de forma indissociável um indivíduo, diferenciando-o dos demais dentro de contextos específicos.


Logo, disponibilidade em tempo integral, segurança e imutabilidade são atributos de grande valia em um sistema de gestão de identidades digitais, estando presentes em blockchains abertas como a do Bitcoin.

Pode-se considerar, inclusive, que o próprio protocolo da moeda digital possui embutido nele um sistema pseudônimo de manutenção e validação de identidades digitais. A unidade bitcoin funciona como uma espécie de moeda escritural e a rede blockchain do protocolo Bitcoin opera algo como um cartório descentralizado, validando que a transferência da posse de uma determinada quantidade X de bitcoins de A para B só é válida mediante comprovação digital de que A é dono daquele montante particular de bitcoins (ou mais).


De modo similar ao histórico que o registro de imóveis tem sobre inúmeras propriedades a partir das escrituras que resguarda, a blockchain do Bitcoin armazena o histórico completo de transações, podendo ser facilmente filtrada para mostrar de maneira transparente o histórico de transações de um usuário em particular. Ocorre que, majoritariamente, nos sistemas de pagamentos de criptoativos como o BTC e outros existem identidades pseudônimas, assim chamadas por não dependerem da disponibilização de dados pessoais vinculados à identidade real do usuário para que sejam criadas ou usadas.


Tudo funciona a partir da criptografia de chaves públicas e privadas, bastando uma chave privada que funciona como “senha” e um endereço público que funciona como “conta corrente”, quando se trata de valores monetários; ou ainda, respectivamente, como chave e cofre quando se trata de informações de outras naturezas.


A vinculação de informações pessoais a uma chave pública de uma rede blockchain torna possível usar essas “identidades digitais” como identificadores no mundo real, não apenas para processar transações digitais pseudônimas.

Com base nessas possibilidades foi criada a rede ION, desenvolvida pela gigante Microsoft como um sistema público, não-permissionado e de código aberto para criação de identificadores descentralizados. O projeto é atualmente implementado como uma camada secundária na rede do próprio protocolo Bitcoin, embora sua estrutura seja originalmente agnóstica quanto à rede que usa como base.


Sem depender de uma companhia, consórcio ou grupo em particular, e por isso funcionando de forma descentralizada no quesito governança, o ION provê uma infraestrutura distribuída para a autenticação de chaves públicas. Nem mesmo há interdependências em relação aos mecanismos nativos de consenso da rede do Bitcoin, haja visto que todo o sistema roda paralelamente através do protocolo Sidetree.


Esta tecnologia permite ancorar dezenas de milhares de operações de identificação e autenticação na base de dados do Bitcoin, utilizando-se para tal de uma única transação “on-chain”. Nas transações é embutido um hash identificador a partir do qual a ION valida e processa autenticações, propiciando escalabilidade e segurança em uma rede blockchain aberta à participação e à auditoria de qualquer um.


Como boa parte das aplicações de infraestrutura tecnológica no meio corporativo utiliza a suíte de produtos da Microsoft, isso torna acessível a um amplo leque de aplicações um sistema de identidade digital descentralizada único, com imutabilidade e prevenção de fraudes em nível bem mais alto. Assim como vem ocorrendo com a negociação de criptoativos e a criação de ativos digitais no mercado financeiro, o pioneirismo global do setor em abraçar aplicações sensatas da tecnologia blockchain deve se repetir com as identidades digitais.


No âmbito brasileiro, o tema foi objeto de estudo em relatório publicado pela CVM, com apoio acadêmico do ITS Rio, tratando de como aplicações da blockchain e afins poderiam facilitar o cadastro de investidores em instituições financeiras no país. Com o olhar atento de reguladores, empreendedores e pesquisadores, o uso de blockchain no campo da gestão de identidades está marcado para decolar.




Gabriel Aleixo Senior analyst & researcher — Qrcapital

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